Achei isso no diário da Chloe. Tento entender isso, mas nunca consigo. Aí vai... * * * Era um dia chuvoso. A chuva já estava quase se esgotando, e assim que ela parou, a energia acabou. “Que ótimo”, pensei. Meus pais estavam na sala e eu, na cozinha. De repente, um breu. Por incrível que pareça, todas as velas acesas entre os ambientes foram apagadas subitamente. A cozinha da minha casa é legal. Acho que é o cômodo com as janelas mais iradas de toda a casa. Porém, elas são extremamente cabulosas. Por serem completamente de vidro, tudo que se passa ali fora, possivelmente você consegue ver pela entrada da cozinha. Dessa vez, não foi diferente. Vi uma luz, que parecia ser de uma lanterna, se aproximando da janela. A vontade foi de gritar, mas eu sou uma expert em fatos de horror. Jamais se deve gritar – como nos filmes – ou ir até o local “assombrado”, a não ser que você queira ser morto. Ou tirar uma selfie com o assassino ou o que é que seja. Poderia ser só meu irmão, que mora do lado da minha casa, procurando a origem do corte de energia. Abaixei na janela e esperei Ela se revelar. Mas isso não aconteceu. “Você anda lendo muito creepypasta”. Me xinguei de idiota por algum tempo. Decidi que eu só teria uma opção nessa noite quieta, escura e sem graça: dormir. Fui até a sala – que estava vazia, já que meus pais foram para o quarto deles há muito tempo – pegar meu cobertor e voltei para a cozinha, porque eu não durmo sem uma garrafa d’água do meu lado. E então, eu a vi. Juro, eu gostaria de não ter visto. Uma face distorcida, amarelada. Um capuz preto cobria grande parte de seu rosto, mas eu ainda conseguia vê-la. Ela possuía um risco no lugar dos olhos. Eu paralisei. Ela sorriu com os “olhos”. O sorriso mais perturbador que eu já vi em todos os meus 18 anos de vida. O breu cobria o quintal. E eu vi Ela pela janela transparente. A maldita janela de vidro!!! Corri para o quarto dos meus pais e expliquei. Pela primeira vez, eles acreditaram em mim. A minha mãe me lembrou que a janela do meu quarto estava aberta. Porra. A janela dava para o quintal, onde Aquela insignificante estava. Corri e tranquei a janela, mas assim que me afastei por 2 segundos, as fechaduras da janela se estouraram e a janela explodiu, causando um estrondo insuportavelmente alto. Dessa vez, o medo não me travou. O mais rápido que pude, fechei a porta do meu quarto, o tranquei e empurrei alguns móveis para a porta. Passei pelo corredor e olhei a janela novamente. Ela estava com uns buracos negros no lugar dos riscos – que antes eram seus supostos olhos – e um sorriso marcado com algo semelhante a sangue. Gritei “Vá embora!”. E ela riu e sumiu. A energia voltou. Abri a porta do quarto dos meus pais e os vi no chão, ensangüentados. Havia um bilhete preso nas mãos entrelaçadas deles. “Não se preocupe, querida. Eu voltarei.” Chorei tanto, mas tanto, que desmaiei ali. Quando despertei, estava na escuridão e senti um riso de criança muito próximo de mim. E Ela falou, me esmagando com a mão “Eu não disse que voltaria?” * * * Isto é tudo. Chloe está desaparecida há 3 anos. Estranho que eu ouço risadas o tempo todo. E o pior é que eu não sei se essas risadas são dela.