Velhos Hábitos.

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Fev 25, 2016
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Uma flor nos dedos. Sentada no banco com tinta descascada. Olhava o chão, e balançava os pés no ritmo da musica que saia dos headphones. Girava a florzinha lilás entre os dedos, e sorria ocasionalmente.
Ele viu de longe, e achou graça da menina com o corte de cabelo esquisito, e roupas diferentes. Ele gostou das botas de cano curto que ela usava, e chegou de mansinho.
Ela viu ele sentado, mas não levantou o rosto. Ouviu uma palavra abafada. Não olhou. Ouviu de novo. Tirou os headphones, deixando os descansando nos ombros.
- Que? - perguntou.
- Eu disse oi. Duas vezes.
- Oi. - pausa -Oi. - pausa- duas vezes.
Ele riu, e olhou pra frente, um lago brilhoso pelo sol matinal. Ela ja ia botando os phones de novo, ele não ia perder aquela oportunidade.
- Qual teu nome?
Suspiro dela. Como se fosse um incomodo. Estava fingindo. Olhou pra flor e mentiu.
- Violeta.
- Legal.
Silêncio.
- O meu é ... - olhou pro chão - Pedra.
- Pedra?
- É.
- Legal.
Silêncio. Imenso, dessa vez.Os dois olhares se cruzaram. Ela desviou mais rapido, e ele riu. Ela com os dedos um pouco nervosos procurou no bolso da camiseta xadrez um maço de cigarro, mas lembrou que não tinha comprado mais.
- Tem cigarros ai? - pergunta, nervosa, mas sem transparecer muito.
- Você fuma?
- É.
- Eu não.
- Ah tá. Tô tentando parar.
- Que bom.
Infinito nos lábios dele, e o gosto da canela do chiclete nos dela. Mastiga vagarosamente, e ele acompanha com o canto dos olhos o movimentar do maxilar dela, e o contorno do queixo, e descendo o pescoço e o colar com um pingente escrito "Nerd". Desce... e ela vê. Pigarreia. Ele levanta os olhos, e depara com os negros dela.
- Ouvindo o que? - puxa papo.
- Strokes.
- Legal. Gosto deles.
- É, eu também. Um pouco.São coisas que ficam.
- Como assim?
- As pessoas vão, mas os velhos hábitos ficam.
- Tipo os seus cigarros?
- Não. Esses são novos hábitos . Não muito novos. Mas mais novos que Strokes.
- Ah.
Ele respira fundo, e solta o ar pela boca, fazendo o cabelo bagunçado voar um pouquinho pra cima dos olhos, e depois pousar sobre as sobrancelhas no seu habitual jeito de "não ligar". Ele poem a mão no bolso e tira um celular. Tecla algumas teclas , e ela fica curiosa.
- Ta fazendo o que?
- Pegando o seu numero.
Sorriso. Outro sorriso, mais largo. O outro mais tranquilo. Mexeu no cabelo, rindo. Passou o numero. Num outro dia sairam. Deram certo. Deram errado. E agora ela ouvia Misfits nos headphones. Os velhos hábitos. E o cigarro nos lábios. Sempre novo.
 
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